











Fotos: José Pedro Villalobos
Equipamentos: cameras Nikon D300s e Canon EOS 7D, com diversas lentes.
Local: Enoteca Conte Freire, Porto Alegre, RS
Período: segundo semestre de 2011












Eu, jovem e inexperiente, não sabia o que fazer e acabei desperdiçando a experiência. Fiz imagens a esmo, nada que prestasse. Não entendi a solenidade que o momento exigia. Coisa de guri. Restou deste período a lembrança de uma foto na abertura da Feira do Livro de Porto Alegre. Mandaram o estagiário (eu) para a solenidade. Tive minha primeira experiência de empurra-empurra entre colegas. Acabei me posicionando bem, em ângulo quase central ao patrono, o poeta Mário Quintana. Fiz vários clics, um deles registrou o poeta em plano americano, segurando com a mão erguida a sineta que marca a abertura da feira e uma expressão de alegria no rosto. Acabou sendo vendida para o então poderoso JB (a Objetiva prestava serviços para a sucursal gaúcha do Jornal do Brasil) e publicada no caderno de cutura. Lamentavelmente não tenho cópia disso. Deixei a fotografia e só retomei como hobby há pouco tempo, dois anos no máximo. Mas nunca deixei de trabalhar com imagens - só de televisão são 18 anos... Passei por quase todas as grandes mudanças tecnológicas do fim do século XX e começo do XXI. E aprendi uma ou duas coisinhas (talvez três).
Lembro com uma ponta de nostalgia da minha Olivetti Lettera 35, autêntico "notebook" analógico que me acompanhou desde meados dos 70 até os 90. Computador era coisa de filme de espionagem. Computador pessoal era quase uma ficção, pelo atraso em que vivia o Brasil e pelos preços. Foi na marra que precisamos aprender a mexer nestas "coisas". E agora vem a primeira revelação: não há o que não possa ser aprendido com um mínimo de boa vontade. Não falo necessariamente em dominar tencologias e virar um "Steve Jobs" dos programas, mas de saber operar de forma satisfatória os softwares. Se puder agregar conhecimentos e técnicas avançadas, melhor ainda. A segunda revelação é: para dizer "não gosto de tecnologia, prefiro fazer as coisas à moda antiga", TAMBÉM é preciso entender a tal tecnologia.
Até para criticar e descartar alguma coisa, devemos compreendê-la primeiro. Hoje existe um amplo movimento de volta ao uso do filme na fotografia. Pessoas que preferem a estética do negativo, dos slides, até mesmo o uso de cameras "toscas" (Hola, Lomo, etc) em nome de um trabalho mais autoral. Perfeito, ótimo, desde que não represente uma negação por ignorância dos recursos que a foto digital e os inúmeros programas de edição podem trazer.
Cabeludo, fotógrafo, reconhecido. E que agora, aos 50 e poucos anos, longe de estar velho ou aposentado, teve um belíssimo livro lançado pela UFRGS, dentro do projeto Percurso do Artista.
Registrar a vida e ao mesmo tempo viver - viver da vida, retirar do turbilhão momentos que não percam o sentido mesmo que imobilizados e condenados ao passado. Este é o fazer dos fotógrafos, sejam quais forem eles... Morre um fotógrafo, nasce sua obra, para ser admirada no conjunto, na medida em que alguém se dedique a decifrar os artigos deixados por ele... Agora, neste instante e amanhã, cada um de nós faz e fará tudo... O Mundo é o álbum do Facebook! Assim e não o contrário. Lomografia - vale a pena conhecer - trata-se de atirar sem apontar, anotem aí! A esmo... Na dita pós-modernidade surge tudo quase ao mesmo tempo, o mundo virtual, a imagem numérica, o Photoshop, a arte conceitual, a novela sem roteiro e sem atores (Big Brother, que os franceses chamam de tele poubele)... As imagens são como nós: às vêzes nascem, pensam. Mas elas não morrem! Uns fotógrafos morreram, outros estão por nascer em meio à nova norma da virtualidade, ainda não completamente anunciada.
E há os fotógrafos da transição, com e sem seus envelopes mal-escritos e embaralhados, trabalham com gigas de emaranhadas boas intenções, para continuar reinventando um rela que vai se oferecendo cada vez mais rarefeito e intangível. Não mais alquimistas nem magos do tempo alheio, talvez ainda mais sós do que acompanhados, os fotógrafos persistem na fabricação dos rastros de suas próprias existências."
universo fotográfico. E aqui o "sub" não significa menos ou menor. Uso o termo apenas para definir um tipo de foto que possui especificidades e habilidades próprias, da mesma forma que existem aspectos únicos nas fotos de esporte, jornalismo, etc. Nem sempre é uma missão fácil. Ainda que hoje em dia os fotógrafos possam contar com os aparentemente infindáveis recursos digitais de captação e pós-produção, a foto de um músico, uma banda, vai muito além disso. É preciso capturar a alma do momento. Nestes dias de tantas possibilidades para o registro de imagens e também da desmistificação do papel do fotógrafo, esta deve ser uma das últimas fronteiras que ainda separam o amador do alquimista, aquele ser capaz de ver - e registrar - o que os outros não parecem enxergar.
Talvez nem todos saibam, mas algumas das fotos mais conhecidas de artistas do Rock´n´roll foram feitas pelo fotógrafo norteamericano Bob Gruen. Acompanhando alguns dos maiores nomes do gênero desde os anos 60, Bob registrou imagens que hoje fazem parte da mitologia do Rock.
Diz ainda que, mais do que fazer um trabalho tecnicamente correto, é preciso captar a emoção do artista, do show que está fotografando. Para isso não são necessários milhares de cliques, é melhor esperar atentamente a hora certa para obter e melhor imagem. Por outro lado Bob também ensina: "se tirar muitas fotos e apenas duas ficarem ótimas, mostre apenas estas, pois é como seu trabalho será avaliado", diz no documentário sobre ele dirigido por Don Letts.

Mas acredito que é preciso ir adiante. Informar-se sobre o que outras pessoas estão produzindo é fundamental. Existem centenas de bons blogs e publicações dedicadas ao tema das imagens. Isso sem falar no conhecimento sobre história da arte, história da própria fotografia e do cinema, sobre como se forma uma imagem nos diversos equipamentos de captação.
Certamente que não. Na verdade se trata de uma aspecto dos mais subjetivos. Podemos analisar uma imagem apenas do ponto de vista das regras formais e, assim, estabelecer se está bem enquadrada, com a luz apropriada, numa composição correta, enfim... mas repare que esta será sempre uma avaliação formal. Existe ainda o objeto da imagem, o que ela quer transmitir, a proposta de quem captou, que pode pender para o realismo ou, ao contrário, para o subjetivismo,o simbolismo, numa abordagem artística. A construção de uma imagem é também a construção de um discurso, como ensinam os estudiosos do assunto. Tudo começa com a escolha do que vai aparecer, de que forma vai ser mostrado, qual o ângulo... depois da captação ainda pode haver o tratamento que vai intensificar ou suavizar determinados aspectos, em busca de uma estética previamente definida - ou não.
Há ainda um terceiro fator, igualmente subjetivo, que determina a qualidade de uma imagem: é a relevância que ela tem para quem a vê. Isto nos deixa diante de questões como, por exemplo, o registro de uma cena familiar adquirir, para os integrantes daquele grupo, importância maior do que uma cena premiada internacionalmente num concurso de imagen. É a esfera pessoal e emocional que entra em ação - e contra isso não há discurso acadêmico que possa fazer objeção. Assim, temos pelo menos duas análises possíveis: uma técnica e outra pessoal, emocional. Para mim o que faz a qualidade de uma imagem é a combinação destes fatores: deve ser tecnicamente correta, esteticamente representar um discurso e ao mesmo tempo buscar a emoção possível; pode ainda quebrar todas as regras, desde que conscientemente, e apresentar todas as cargas subjetivas, dramáticas, simbólicas desejadas pelo autor. A exemplo de Fox-Talbot, o francês Joseph Nicéphore Niépce (1765-1833) é um dos inventores e pesquisadores que integra o rol dos pais da fotografia. Daguerre é o terceiro nome desta tríade inicial. A curiosidade sobre Niépce é que, assim como Fox-Talbot, não sabia desenhar e foi movido por esta frustração que buscou um jeito de registrar as imagens de que gostava.
Niépce começou seus experimentos fotográficos em 1793, mas as imagens desapareciam rapidamente. Ele conseguiu imagens que demoraram a desaparecer em 1824 e o primeiro exemplo de uma imagem permanente ainda existente foi tirada em 1826. Niépce chamava o processo de heliografia e demorava oito horas para gravar uma imagem. Em 1793, junto com o seu irmão Claude, oficial da marinha francesa, Joseph Nicéphore Niépce tenta obter imagens gravadas quimicamente com a câmara escura, durante uma temporada em Cagliari.
Aos 40 anos, Niépce se retirou do exército francês para dedicar-se a inventos técnicos, graças à fortuna que sua família possuia. Nesta época, a litografia era muito popular na França, e como Niépce não tinha habilidade para o desenho, tentou obter através da câmera escura uma imagem permanente sobre o material litográfico de imprensa. Recobriu um papel com cloreto de prata e expôs durante várias horas na câmera escura, obtendo uma fraca imagem parcialmente fixadas com ácido nítrico. Como essas imagens eram em negativo e Niépce pelo contrário, queria imagens positivas que pudessem ser utilizadas como placa de impressão, determinou-se a realizar novas tentativas.
Após alguns anos, Niépce recobriu uma placa de estanho com betume branco da Judéia que tinha a propriedade de se endurecer quando atingido pela luz. Nas partes não afetadas, o betume era retirado com uma solução de essência de alfazema. Em 1826, expondo uma dessas placas durante aproximadamente 8 horas na sua câmera escura fabricada pelo ótico parisiense Chevalier, conseguiu uma imagem do quintal de sua casa. Apesar desta imagem não conter meios tons e não servir para a litografia, todas as autoridades na matéria a consideram como "a primeira fotografia permanente do mundo". Esse processo foi batizado por Niépce como heliografia, gravura com a luz solar.
primeiro negativo não-fixado
Em 1827, Niépce foi a Kew, perto de Londres, visitar Claude, levando consigo várias heliografias. Lá conheceu Francis Bauer, pintor botânico que de pronto reconheceu a importância do invento. Aconselhado a informar ao Rei Jorge IV e à Royal Society sobre o trabalho, Niépce, cauteloso, não descreve o processo completo, levando a Royal Society a não reconhecer o invento. De volta para a França, deixa com Bauer suas heliografias do Cardeal d'Amboise e da primeira fotografia de 1826.
Em 1829 substitui as placas de metal revestidas de prata por estanho, e escurece as sombras com vapor de iodo. Este processo foi detalhado no contrato de sociedade com Daguerre, que com estas informações pode descobrir em 1831 a sensibilidade da prata iodizada à luz. Niépce morreu em 1833 deixando sua obra nas mãos de Daguerre.
Informações retiradas da Wikipedia
Neste site, você tem acesso ao museu dedicado à memória de Niépce: