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sábado, 17 de setembro de 2011

Fotografia, hobby e o seu bolso


Eis uma fronteira com a qual todos que gostam de fotografia - além do limite dos registros de família nos fins de semana - se deparam: transformar o gosto pelas imagens num hobby, alçar vôos mais altos em busca de satisfação pessoal? Tentar transformar imagens em arte? Não é uma dúvida com a qual se possa brincar. A fotografia que supera o amadorismo puro pode custar muito caro. Mesmo quem escolhe investir numa camera DSLR básica (equipamento que já não é um compacto amador mas ainda está longe das cameras profissionais) deve preparar o bolso: aqui no Brasil, mesmo importando o corpo de camera e uma lente "de kit" (as empresas costumam oferecer com suas cameras uma sugestão de lente mais barata, mas com menos recursos que uma profissional), não se gasta menos que 2000 Reais. Aliás, eu diria que é deste valor para cima. Equipamentos profissionais são bem mais caros que isso. A título de curiosidade, um modelo da consagrada marca Leica, o S2 (foto ao lado), chega a custar em torno de 75 mil Reais....

Hobby


É aí que o entusiasta das imagens pode entrar numa relação profunda e duradoura com o seu cartão de crédito. Nos sites que vendem equipamentos, existe uma enormidade de ofertas. Os olhos brilham, o coração pulsa e... o bolso treme. "Por que não comprar aquele modelo um pouquinho melhor, afinal são só mais 200 dólares... e aquela lente com zoom mais poderoso, está em oferta por 1700 dólares.... Bom, quem paga 1700 pode pagar 2300, certo? Então vamos lá, coloca uma lente ainda melhor no cestinho de compras..." Esse diálogo interno entre o desejo e a racionalidade é mais comum que se imagina. Claro que cada pessoa sabe da sua realidade financeira, mas é importante estar atento para o real objetivo da compra do equipamento. A pergunta é "o que eu quero ser quando crescer"? Ou ainda, citando o filósofo Mário Sérgio Cortella, que define a ética através de três perguntas básicas e podem ser perfeitamente usadas nestre e em outros casos: quero? devo? posso?
As respostas podem ajudar a definir o seu limite. Se a pessoa tem uma renda considerável e acredita que pode ser o novo Sebastião Salgado, é só ir em frente. Opções maravilhosas não faltam (outra curiosidade: uma lente teleobjetiva de 800mm, da marca Canon - a lente branca ao lado -, capaz de aproximar centenas de vêzes um objeto, custa cerca de 58 mil Reais... outro modelo, de 600mm da Nikon - a preta ao lado- sai por 36 mil Reais). Claro que existem valores menores. Uma lente básica, que todo fotógrafo deveria ter, é uma 50mmm. As grandes fabricantes tem modelos ótimos, por valores em torno de 500 Reais.
É bom lembrar que estamos falando em hobby, aquela atividade que escolhemos porque nos dá prazer, realização de sonhos, permite o nosso lado criativo e criador vir à tona, sem um retorno financeiro para amortizar o tamanho da encrenca... Assim, quem não possui toda esse esplendor financeiro, deve estar muito mais atento aos detalhes. É neles que pode se decidir uma compra. Os modelos "de entrada" das fabricantes podem ser um bom caminho inicial, ou mesmo algumas compactas avançadas.

Vida real

Como para a maioria das pessoas estes valores são impraticáveis, vamos a algumas sugestões mais práticas e acessíveis:

- Fale com quem já possui equipamentos semi-profissionais. Normalmente estas pessoas são boas fontes de informações sobre preços e a utilidade de cada peça;
- Leia muito sobre o assunto antes de comprar. Existem revistas e sites maravilhosos sobre fotografia e que trazem testes de cameras e lentes, além de acessórios.
- Se você já passou da linha do amador de fim de semana, deve saber então como operar uma camera DSLR. Existem alguns comandos invertidos entre as marcas - até por idiossincrasia dos fabricantes estes comandos não são padronizados - mas todos podem ser dominados com alguma paciência e leitura do manual (coisa que poucos fazem);
- Estabeleça um limite financeiro e não ultrapasse, nem sob tortura;
- Um consenso entre fotógrafos: o grande investimento deve ser feito em lentes, são elas que vão dar a real possibilidade de qualidade para suas fotos;
- Não esqueça: muitos megapixels não querem dizer, necessariamente, qualidade. Veja o post sobre o assunto que fiz aqui no blog.
- Pense em adquirir equipamentos usados para começar;
- Tente definir quais tipos de foto você gostaria de registrar: retratos? paisagens? natureza? urbanismo? Para cada motivo há uma configuração melhor de equipamentos;
- Canon ou Nikon? Rá, esta briga é fantástica, parece Grenal, Fla-Flu, Corinthians e Palmeiras.... Entusiastas das duas marcas trocam farpas e tecem teses intermináveis sobre suas preferências... Eu mesmo não tenho certeza sobre qual a melhor, ambas tem ótimos modelos. Existem ainda outras concorrentes no mercado (Olympus, Pentax, Sony etc.). Um ponto importante que pode ser decisivo: tem assistência técnica de qualidade na sua cidade, no seu Estado ou mesmo no Brasil? Nada pior que precisar limpar o sensor da camera e ter que remeter o equipamento para os Estados Unidos.
- Tenha consciência do investimento a fundo perdido. Afinal, aqui estamos falando de hobby, não de atividade profissional.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

A experiência do celular

Seja pela portabilidade, seja pela discrição, o celular é um baita aliado para fazer imagens. Mais que isso, deveria ser visto como um instrumento de treino e educação do olhar. Como as possibilidades de interferência são mínimas, tendo em vista que a maioria dos ajustes são pré-definidos no aparelho, resta prestar atenção num aspecto fundamental: composição. A maioria das imagens com celulares tende a ser deficiente em termos de definição, o fotógrafo acaba recuperando um fundamento ancestral, do tempo das máquinas de filme, que se perdeu com a chegada das digitais: o capricho na hora de enquadrar e tirar a foto. Luz, enquadramento, composição são elementos fundamentais para que as imagens fiquem boas.

Macetes


Existem alguns conselhos para obter imagens de melhor qualidade com o celular: chegar mais perto do que se quer registrar, buscar locais de boa iluminação, segurar firme o aparelho (já que é bem mais suscetível a tremidas do que uma camera fotográfica ou de vídeo), conhecer bem o equipamento (aprender a usar os recursos pré-definidos) são alguns deles. Na internet já há centenas de sites dedicados exclusivamente às imagens feitas com celular, o que significa um movimento no sentido contrário ao dos que se opuseram ferrenhamente ao uso de celulares como cameras.

Filtros e aplicativos


Não vou voltar ao tema do Instagram (ver dois posts sobre o assunto neste blog). Mas não há como negar que existem - em especial no I-phones - inúmeros apps para fotografia que ajudam bastante a melhorar as imagens. Há quem diga que, na verdade, estes filtros mais servem para encobrir imperfeições (foco ruim, baixa iluminação, ausência de contraste) do que oferecer uma imagem melhor. Isto até pode ser verdadeiro em alguns casos, mas existe outra forma de ver a questão: o uso destes filtros acaba se constittuindo em outro tipo de linguagem, que leva a pessoa a desenvolver um senso estético diferente. Nem melhor nem pior, mas diferente. Mais uma vez, o grande diferencial entre uma imagem boa e uma imagem ruim é o conteúdo da foto, a emoção e o senso estético que ela traz. Assim, ninguém deveria ter receio de usar estes aplicativos. A única restrição possível é a da imagem ruim, sem criatividade, pobre de conteúdo e de estética.

Imagens pofissionais?


Por último, uma questão que tem preocupado muita gente: o uso profissional dos aparelhos celulares. Existem inúmeras discussões em fóruns de fotógrafos, e a polêmica está sendo bastante áspera. Infelizmente a maioria das pessoas tende a uma radicalização extremada de suas posições, com a defesa de um ponto de vista fechando a questão para quem pensa o contrário ou é mais flexível. Fato é que, aos poucos, as barreiras vão caindo. Fotógrafos renomados aderem ao celular - inclusive como opção estética - e imagens feitas com o equipamento já ocupam as páginas de jornais, revistas e internet. Sem maiores prejuízos à qualidade. Claro que um equipamento profissional obtém melhores resultados: foco, abertura e velocidade adequados, balanço de branco, além de uma sensibilidade maior no sensor, garantem melhor contraste, equilíbrio de cores, fidelidade à cena real. Além disso, o arquivamento no sistema RAW permite um trabalho de ajustes mais preciso nos programas de tratamento de imagens. Por outro lado, cameras e lentes cada vez melhores nos celulares vão diminuindo a distância aos equipamentos profissionais. Por enquanto, pelo menos para o jornalismo, ainda vale a regra de estar no lugar certo na hora certa: pouco importa a forma de registro do fato, o que importa é ter a cena gravada e a sua relevância. Para quem tem no registro de imagens o interesse artístico, a situação é ainda mais flexível e o celular pode até ser usado como instrumento de uma linguagem diferenciada. A última fronteira ainda pode ser a da publicidade, em que o controle de ambiente - com definição de cor e luz - ainda é melhor captado pelo equipamento profissional.

PS: as cinco últimas fotos são minhas e foram tiradas, de baixo para cima, com um celular Sony Ericsson(primeira), com um I-phone (as duas seguintes) e as duas últimas com um blackberry antes e durante o show de Paul McCartney em Porto Alegre em 2010.